2.12.09



O sistema tenta oprimir e coloca meu povo com as mãos na parede
E você irmão não vai revidar

Somos trabalhadores, pastores que toca seu rebanho
Cansei de ficar sozinho na multidão quando toca a sirene
O coronelismo, o capitalismo e a ditadura eficaz
Nos dias atuais é a choque
Ninguém sai, alguns dormem mais cedo
E ninguém sai
Em tempos e tempo meu povo fraquejou e hoje joga a esmo
Parece se render
São os poucos que permanecem na luta
O sistema ganhou força
E toda vida mentiu sobre quem somos

Humilha a nos negros
Negam um futuro promissor e uma vida de paz
Criam Cota na Universidade, nos programas de TVs e nas empresas
Pra uns poucos e os outros 90% recuados as encostas e morros
Dentro da detenção atrofia os irmãos
Na contra regra estou, mas quando o tempo fecha
Já sabe porrada na nuca do nego
Uns viu outros relatam, mas o sistema nega os fatos
Coloca meu povo com as mãos na parede
De frente já estive muitas vezes
Agredido moralmente na frente da multidão
Mas não escondo somos anciãos, pastores que toca seu rebanho
Não me corrompi e mesmo assim não passo na batida
Para somar nas estatísticas vou parar no fim da fila da aposentadoria, do hospital e da justiça
Não me corrompi e o sistema me oprimi

Sei o que sou capaz contra esta babilônia em chamas
Onde o velho cai na rua sem amparo e jovens são acorrentados
Legado e marcas de meu passado ou diria presente
E você não vai revidar irmão
Não?!

Meu verbo assina todo este relato onde os fatos não é caso
E muito menos acaso
Os tolos ouvem e fecham a boca sem questionamento
Os entendido sentem o espírito e compartilham a energia, o axé
Os caboclos da mata vibram com o toque do tambor
E a ginga cresce ao som do berimbau
Como negar isto
É o mesmo que negar quem tu és
É o mesmo que negar o que eu sou
Não é por revolta não tenho raiva
Mas tenho minha afirmação do que sou
Sei que o sistema oprimi, que a justiça (de jah ancião de judha não) tarda
(ela atravessou o mar)
Mas sei quem é meu povo e não faço parte de encenação

Salve Dom Obá filho desta terra
O vei Manel e o veim, Dona Bita, Dona Rosa e vêa Bolim
Meus traços diz quem sou e da onde sou
Sou daqui um caboquim e meu espírito é de lá
Sou de África (Terra mãe de meu povo)


Valneide Souza

Meiga e cheia de perfume Você, de todo o meu jardim É a flor mais linda!